Cliente sumiu: quando chamar, e por que desconto na hora errada custa caro
A régua que a gente usa para decidir quando chamar e quanto oferecer — e o erro de dar desconto para quem voltaria pagando o preço cheio.
A cliente que vinha a cada trinta dias parou de aparecer. Já são quarenta e cinco. Você pensa em mandar uma mensagem com um desconto — e essa é, na maioria das vezes, a decisão que custa dinheiro.
Não porque chamar seja errado. Porque o quando e o quanto quase nunca são pensados, e os dois importam mais que o texto da mensagem.
O erro mais caro: chamar cedo demais, com desconto
Essa lição veio da Luana, que atende, e não de nenhuma análise nossa. O caso tinha nome — chamamos de "caso Magna" internamente.
Uma cliente de ciclo de trinta dias atrasa três. Se você manda 20% de desconto no dia 33, aconteceu o seguinte: ela ia voltar de qualquer jeito, pagando o preço cheio, e você acabou de dar 20% para uma venda que já era sua.
No ponto exato do retorno, a cliente tende a reagendar pagando cheio. O desconto é para quem passou do ponto e não voltou sozinha.
Por isso a nossa automação tem uma carência de 5 dias depois do ciclo dela. Nesse intervalo a cliente pode receber um lembrete — nunca uma oferta.
A régua da saudade
Depois da carência, quanto mais tempo fora, maior o incentivo. A escala que usamos:
| Dias sem aparecer | Desconto oferecido |
|---|---|
| 30 a 44 | até 30% |
| 45 a 69 | até 40% |
| 70 ou mais | até 50% |
Repare no "até". Nenhum desses números é aplicado direto: todos passam por um teto.
O teto que impede o desconto burro
Um desconto de 50% pode ser ótimo numa escova e ruinoso numa coloração, porque o produto da coloração custa. Se a régua mandasse 50% em tudo, alguns atendimentos sairiam abaixo do custo — você trabalharia de graça e ainda pagaria para trabalhar.
Por isso o desconto final é sempre o menor entre o que a régua pede e o que o serviço aguenta:
Fazer essa conta no servidor e não na tela não é preciosismo técnico: é o que impede que um desconto seja alterado no caminho, de propósito ou por defeito.
Quem está devendo não recebe desconto
Regra simples e inegociável: cliente com parcela em aberto não entra em campanha de oferta. Ela entra na fila de cobrança.
O motivo não é rigor moral — é o que a alternativa ensina. Se quem deve recebe promoção e quem paga em dia não, você acabou de premiar o comportamento errado. E a cliente pontual, quando descobre, tem toda a razão. Cobrar primeiro, oferecer depois — nessa ordem, sempre.
A oferta precisa ser dela, não de todo mundo
Disparo igual para trezentas pessoas tem duas consequências: converte pouco e parece robô — que é o jeito mais rápido de o seu número ser denunciado.
A oferta que funciona cita o que aquela cliente faz: o serviço favorito dela, o que ela costuma levar junto, o intervalo com que costumava vir. Isso não é personalização de marketing; é a diferença entre "temos promoção" e "sua hidratação está passando da hora".
E, principalmente: dá para saber se funcionou
Essa é a parte que quase nenhum salão tem. Cada oferta sai com um código próprio. Quando a cliente agenda e informa o código, o sistema sabe que aquele retorno veio daquela mensagem.
Com isso dá para responder o que antes era achismo:
· quantas receberam, quantas voltaram;
· quanto de receita veio dos retornos;
· quanto de desconto isso custou;
· e qual faixa da régua converte melhor — que é o que permite calibrar os 30/40/50 em vez de chutar.
Vale dizer que algumas voltam sem informar código nenhum. Essas contam separado, e é honesto separar: são retorno, mas não são prova de que a mensagem funcionou.
Cada oferta sai com código próprio, e quem volta informando o código é contabilizado: quantas receberam, quantas voltaram, quanta receita veio, quanto custou de desconto e qual faixa da régua converte melhor — que é o que permite calibrar os 30/40/50 em vez de chutar. Quem voltou sem código conta separado, porque é retorno mas não é prova.
Quem tem parcela em aberto não entra: vai para a fila de cobrança.
O que fazer sem sistema nenhum
Liste as clientes que não aparecem há mais de 45 dias e que vinham com regularidade — só essas. Tire as que devem. Para as que sobraram, mande mensagem individual citando o último serviço delas.
Não ofereça desconto na primeira mensagem. Ofereça horário. Boa parte volta só por ter sido lembrada — e essas você não precisava ter pago para trazer de volta.