Em 90 dias, nosso estoque registrou 25 saídas. Todas de venda
Fomos olhar o estoque do nosso próprio salão antes de falar de kit. O produto usado na cadeira não aparecia em lugar nenhum, e 91 de 92 itens estavam "abaixo do mínimo".
"Kit para salão de beleza" é uma das buscas mais comuns de quem está abrindo ou reformando. A promessa do kit é simplicidade: tudo o que você precisa numa compra só. O problema é que ele é montado pela loja, para um salão médio, e o seu salão não é médio.
Não temos kit para recomendar. Fomos olhar o estoque do nosso próprio salão no sistema, e o que achamos muda o que vale a pena comprar.
25 saídas em 90 dias, e nenhuma de uso
Nos últimos 90 dias, o estoque do Beauty Empire LDS registrou 25 saídas de produto. As 25 foram venda: o produto que a cliente levou para casa.
Nenhuma foi o produto usado na cadeira: a tinta da coloração, a máscara da hidratação, o ativo do alisamento. Esses saíram da prateleira do mesmo jeito, só não passaram pelo registro.
Consequência direta: o saldo do sistema descreve a prateleira de quem compra para levar, não a de quem usa para atender. E dá para ver isso no número seguinte.
91 de 92 itens "abaixo do mínimo"
Dos 96 produtos ativos, 92 têm estoque mínimo cadastrado. Destes, 91 estão hoje no mínimo ou abaixo dele, e 35 aparecem zerados.
| No sistema | Itens |
|---|---|
| Produtos ativos | 96 |
| Com estoque mínimo cadastrado | 92 |
| No mínimo ou abaixo dele | 91 |
| Zerados | 35 |
Quando quase tudo está no mínimo, o aviso de mínimo para de avisar. Ele vira o barulho de fundo que ninguém olha, e a tinta continua acabando com a cliente na cadeira, que é exatamente o problema da quinta-feira que já descrevemos.
O erro não estava no produto nem no fornecedor. Estava em registrar só a metade do caminho que o produto faz.
O que isso muda na compra
Para abrir, o kit é razoável. Você não tem histórico nenhum, e alguém precisa decidir a primeira compra.
Do segundo mês em diante, compre por reposição, e não por kit. O que atingiu o mínimo, na quantidade que o consumo do mês indicar. Mas isso só funciona se o consumo do atendimento entrar na conta. Sem ele, a reposição vai sempre olhar para o produto de revenda, que é o que está registrado, e esquecer o que mais gasta.
E separe o que é do salão do que é da casa. Quando separamos as despesas do salão das pessoais, R$ 3.096 de um único mês eram mercado, casa e carro: quase um quarto de tudo o que saiu. Com o produto, o caminho pode ser o inverso: o shampoo que vai para casa sai do estoque do salão e não é registrado em lugar nenhum.
No Portal do Fornecedor, se você liberar, o fornecedor vê o seu estoque e monta o pedido de reposição, que você aprova ou recusa. O que o sistema não tem é uma ficha técnica que dê baixa sozinha a cada serviço feito. O uso no atendimento é registrado por quem tirou o produto da prateleira.
Como fazer a conta no seu salão
Pegue os cinco produtos mais caros da prateleira de uso, não os de revenda. Para cada um, anote quando abriu o pote e quando ele acabou, e quantos atendimentos que usam aquele produto aconteceram nesse intervalo. Divida o preço do pote pelo número de atendimentos. Esse é o custo real do produto por cliente. Compare com o preço do serviço: às vezes o produto "caro" que rende muitas aplicações é o mais barato da casa.